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Studio dLux
29 de setembro de 2015
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BUJI
16 de outubro de 2015
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O objetivo desse trio aí em cima é mudar a sociedade por meio da cultura. Carlos Rolim, Natalie Assad e Fernando Abbud enxergam nela a chance de construir um Brasil melhor e mais evoluído. E olha que nenhum fica parado esperando as coisas mudarem, não. Colocar a mão na massa e fazer acontecer é o lema desses empreendedores. Os três comandam a operação do Partio, uma plataforma de crowdfunding cultural. No bom e velho português: o site faz uma vaquinha virtual para concretizar projetos ligados ao setor. O objetivo é unir produtores a pessoas e empresas que desejam financiar iniciativas interessantes na área.

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A história do Partio começou a ser escrita há dez anos, quando Carlos resolveu ajudar o avô a captar recursos para um documentário que havia sido aprovado pela Lei Rouanet. “Precisávamos de R$ 70 mil”, conta. Eles ficaram três anos atrás do valor necessário, batendo de porta em porta e recorrendo aos amigos. “Tivemos de passar o chapéu mesmo, literalmente”, diz. Foi daí que surgiu a ideia de facilitar todo esse procedimento e democratizar as doações. Em poucas palavras: o empreendedor começou a estudar uma maneira possibilitar a participação de pessoas físicas (até mesmo aquelas que desejavam fazer doações menores). O objetivo era abreviar o caminho entre os projetos culturais e os interessados em fomentá-los. “Percebi que sistematizar o processo era o jeito perfeito de viabilizar vários doadores ao mesmo tempo”, afirma.

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O desafio era grande, uma vez que ainda não havia (nem há ainda) uma cultura forte de doações no Brasil. Mas Carlos estava disposto a mudar esse paradigma – e precisava de reforços. É exatamente nesse ponto que os sócios Natalie e Fernando entram em cena. Com grande experiência na área de cultura, a dupla foi convidada em 2012 a encarar essa missão junto com ele. “Tínhamos uma agência de marketing digital. Como fazíamos muita coisa relacionada ao setor, acabamos nos conhecendo”, comenta Natalie.

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Depois de muito estudo, em 2013 o site do Partio foi para o ar. No primeiro ano, a iniciativa estava focada em projetos de incentivo fiscal. “Queríamos aproveitar a possibilidade das pessoas doarem parte de seus impostos para programas culturais. Aí, sentimos uma grande resistência da sociedade em entender sobre o que estávamos falando”, afirma Natalie. Para reverter esse quadro, em 2014 eles decidiram concentrar os esforços em doações espontâneas e diretas. “Foi a partir disso que demos uma alavancada”, comemora.

Nessa mesma época, os sócios criaram o conceito de curadoria, que transformou a plataforma naquilo que é hoje. Quer saber como funciona? Eles convidaram um time de curadores para caçar projetos em regiões nas quais os produtores culturais não teriam contato com o site. Esses profissionais buscam iniciativas interessantes em locais diferentes, apresentam o financiamento coletivo aos idealizadores e os ensinam a organizar toda a campanha de doações. “Assim, esse curador se torna um padrinho do projeto do começo ao fim”, comenta Natalie. Tal solução fez a taxa de metas alcançadas do Partio saltar de 50 para 80%. Só para se ter uma ideia, a empresa trabalha com o modelo “tudo ou nada”, o que implica na devolução do dinheiro arrecadado caso o valor estipulado não seja alcançado.

O porquinho abaixo é o mascote do local – e representa bem o espírito das doações livres e espontâneas que movimentam a iniciativa.

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Além dos três sócios à frente da operação, o Partio ainda conta com mais seis curadores culturais. Juntos, eles já viabilizaram mais de 40 projetos. Da quantia captada, 12% fica com a empresa. Outra frente adotada recentemente pelos profissionais é a customização de plataformas de doação. Eles criam sites de crowdfunding a instituições que desejam captar recursos para projetos culturais. “Trabalhamos como licenciantes da tecnologia. As empresas perceberam que podem usar uma plataforma digital para facilitar o processo em vez de levantar patrocinadores no ambiente real”, explica Carlos.

 

A firma

O local de trabalho do Partio também é resultado de uma iniciativa empreendedora liderada por Carlos. Os preços altos do bairro do Jardins, onde estava antes, o fez olhar com mais atenção para o Centro de São Paulo (SP). Foi aí que se deparou com uma oportunidade única: alugar três andares de um charmoso prédio situado na Rua Maria Paula (a área totaliza 600 metros quadrados). “Fiz os cálculos e percebi que se colocasse mais pessoas trabalhando lá, o valor do metro quadrado sairia muito mais em conta”, diz.

Foi aí que ele decidiu criar um coworking. Hoje, cerca de 25 pessoas usam o espaço mensalmente, o que já fez Carlos reaver boa parte do investimento empregado na reforma.

A iniciativa foi batizada de Espaço Maria Paula e é dividida em três andares – todos com uma bela vista para o Centro da cidade.  O 10º é usado para lançamentos de projetos, livros e CDs, apresentações, eventos, exposições e reuniões. A área de trabalho compartilhada fica no 11º pavimento. Já o Partio e a Zoe Films, produtora da qual Carlos também é sócio, foram dispostos no 12º piso.

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Esses ambientes encararam uma reforma comandada pelos profissionais do escritório IBD Arquitetura. “Optamos por manter a identidade local e modernizar mais a cobertura, que é onde ficamos”, comenta Natalie. Para evitar o quebra-quebra, eles decidiram apostar em divisórias de vidro, que deixam os espaços muito mais leves e iluminados.

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O Partio e a Zoe Films ficam em ambientes integrados. Ao descascar as paredes deles, tijolinhos aparentes foram revelados e conferem uma pegada industrial ao ambiente. Tudo a ver com a plataforma e com a produtora – atuais e criativas.

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Outra característica marcante do 12º andar é o uso de eletrodutos aparentes para conduzir as instalações elétricas. Assim, não foi preciso quebrar as paredes para embutir a fiação, o que atrasaria a obra e ainda implicaria em mais gastos.

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Foi necessário criar uma estrutura completa para receber a Zoe Films, com direito a ilhas de edição, estúdios e cabines para a gravação de áudio. Como tudo é compartilhado, o Partio também costuma usar o espaço para fazer produções audiovisuais.

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A atmosfera clássica toma conta do 10º andar, área destinada a eventos em geral e encontros. Colunas e piso de mármore deixam bem claro que estamos na região central da cidade. O mesmo acontece com a porta de ferro trabalhada – quer cartão de visitas melhor para uma sala de reuniões?

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Para não destoar da proposta, Carlos e os arquitetos responsáveis pela obra escolheram peças icônicas de design. Uma delas é a cadeira Barcelona, assinada por Mies Van der Rohe e Lilly Reich para o Pavilhão Alemão da Exposição Internacional de Barcelona de 1929.

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Ampla, a sala de reuniões se destaca pelos tacos originais restaurados durante a obra. A janela curva também é uma característica recorrente em prédios localizados na região central.

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As paredes de tijolinhos aparentes são o pano de fundo para diversos quadros com pôsteres de clássicos do cinema. Dica: há diversos sites que permitem o download gratuito de cartazes de filmes. O Mposter é um deles e conta um grande acervo dividido por décadas.

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Quer captar recursos para um projeto? Ou então doar algo para ver uma iniciativa cultural sair do papel? É simples e fácil entrar em contato com o Partio. Envie informações sobre o seu projeto para o e-mail contato@partio.com.br ou acesse este formulário. Confira aqui também os requisitos avaliados pela equipe para escolher as iniciativas que vão parar no mural da plataforma.

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