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A crise econômica que assolava a Europa em 2009 fez o italiano Matteo Gavazzi decidir sair do país para empreender. Em plena expansão, o Brasil aparecia como um destino pra lá de promissor, cheio de boas oportunidades e empresas que não paravam de crescer. Não deu outra: ele fez as malas e deixou a sua cidade natal, Roma, para trás em busca de um futuro mais sólido. O destino escolhido foi a capital paulista, metrópole com espaço para todos os tipos de talentos e negócios. Tal amplitude fez o jovem enxergar no local uma chance de mudar de vida e trabalhar em algo que realmente gostasse.

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Formado no curso de Ciência Política e Governo pela Universidade de Roma, ele queria seguir por outros rumos, encontrar caminhos diferentes. São Paulo lhe deu a oportunidade de atuar como corretor de imóveis, o que mudou a sua carreira de vez. A partir dessa experiência, ele passou a enxergar a cidade com um novo olhar e se apaixonou pelos prédios antigos da região central. Matteo não entendia por que muitos estavam abandonados ou até mesmo corriam o risco de demolição. Em 2012, resolveu se inscrever no curso de Design de Interiores do Instituto Europeo de Design para estudar como renovar esses espaços – e formou-se na área dois anos depois.

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O ano de 2013 foi decisivo para Matteo. Ele decidiu reunir tudo o que havia aprendido desde 2009 para finalmente abrir o próprio negócio. Foi aí que nasceu a empresa Refúgios Urbanos, uma imobiliária que foge do comum. Funciona assim: o designer busca apartamentos situados em prédios antigos, compra e reforma totalmente esses imóveis e, por fim, os coloca à venda novinhos em folha. “Nosso foco é valorizar a boa arquitetura que a cidade muitas vezes se esquece de ter”, diz. Desde então, ele já renovou  diversos lares esquecidos e fez as pessoas olharem com mais carinho para a história paulistana.

 

Prédios de São Paulo

Assim que chegou, Matteo se deparou com uma cidade cinza, mas que ele acreditava esconder uma beleza singular. Com o tempo e ao andar pelas ruas, o designer descobriu que São Paulo já foi uma das capitais mais lindas do mundo. “Nunca entendi como é possível o centro ser considerado o pior lugar da metrópole, já que no mundo inteiro acontece exatamente o oposto”, pensava.

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A partir desse sentimento, ele decidiu criar o projeto autoral Prédios de São Paulo, uma iniciativa totalmente independente. Trata-se de um blog, que mais tarde ganhou um livro (é possível comprá-lo pelo site), sobre as principais construções da cidade. “A missão do projeto é mostrar a história da arquitetura de São Paulo por meio de seus prédios mais representativos”, explica. No site é possível inserir o nome de uma edificação, dar uma busca e encontrar diversas informações sobre ela, como arquiteto responsável, ano de lançamento e localização.

 

A firma

O local escolhido para acomodar o escritório da Refúgios Urbanos não poderia ser melhor: o edifício Palacete Gonzaga, prédio de sete andares construído em 1924 no Centro da capital. Apaixonado por história, ele decidiu decorar o escritório com peças compradas em antiquários. “Não posso ver um. Logo entro para ver se encontro peças interessantes”, confessa.

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Um dos destaques da ambientação é a mesa de reuniões, arrematada também em um antiquário da capital paulista. O modelo é semelhante à Saarinen, mas Matteo não acredita que seja original.

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Logo em frente há diversas fotos que estampam o projeto Prédios de São Paulo. Em vez de fazer algo com madeira ou MDF, o que sairia muito mais caro, ele resolveu criar um painel com uma tela em papel canvas. Ao lado, uma pintura de autoria do artista plástico Adriano Franchini, feito com o mesmo material usado para acomodar as imagens.

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Os personagens retratados na arte de Adriano são alguns dos maiores arquitetos do mundo – e que fizeram história na capital paulista: Rino LeviJoão Artacho JuradoRamos de Azevedo e João Batista Vilanova Artigas.

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O abajur e o carrinho foram garimpados em um antiquário em Ilhabela, litoral norte paulista. Matteo não se lembra o nome do local, pois vive entrando em comércios semelhantes sempre que pode. Ele também garimpa peças jogadas em caçambas – e já conseguiu resgatar muita história que iria para o lixo.

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Uma boa dica para garimpar, segundo ele, é ir à feira de antiguidades do bairro do Bixiga, que acontece aos domingos das 8 às 18h. O comércio foi criado em 1982 e hoje conta com mais de 300 barracas com móveis, livros, vinis e obras de arte (anote aí o endereço: Praça Dom Orione, s/nº, Bixiga. Tel. 11 3262-2198). “Aproveite para circular pelas ruas limítrofes. Também tem muita coisa interessante por lá”, sugere Matteo.

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“Amamos nos perder em detalhes, vivemos comprando livros sobre a cidade da garoa e seus edifícios. Nosso escritório está mais para uma biblioteca sobre São Paulo do que pra uma imobiliária convencional”

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Gostou do trabalho desenvolvido por Matteo na Refúgios Urbanos? Entre em contato com ele se você quer viver em um prédio histórico ou então deseja vender um imóvel situado em construções emblemáticas de São Paulo.

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15 de setembro de 2015
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Refúgios Urbanos

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